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Meros

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AGORA É LEI! IBAMA PROIBE A CAÇA DO MERO EM TODO O PAÍS

 

 


Por:

Osmar “Mindú” Luiz Júnior, biólogo, escreve quinzenalmente sobre Ciência, Biologia e Meio Ambiente. mindu@scafo.com.br

Data:
07/10/2002
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Vamos soltar rojões!!!! Finalmente temos algo para comemorar no cenário ambiental marinho brasileiro. A partir desta segunda feira, 23 de setembro, a captura do Mero (Epinephelus itajara) esta proibida em todo o território nacional pelo período de cinco anos.  A medida provisória assinada pelo presidente do IBAMA, Sr. Rômulo Mello, prevê multa de R$ 700,00 a R$100.000,00 a quem for flagrado pescando, transportando, comercializando ou industrializando o Mero.

O Mero é o maior dos peixes encontrados na costa brasileira, seu habitat preferido são os costões rochosos próximos à desembocadura de rios, por isso é avistado com maior freqüência perto de estuários. Pertence a família dos Serranídeos, que abrange também as garoupas e badejos, é um grande predador, se alimentando de outros peixes e crustáceos como caranguejos e lagostas.

Apesar do enorme tamanho, que pode chegar a mais de 2 metros de comprimento e cerca de 400 kg de peso, o Mero é um dos peixes mais dóceis e curiosos que um mergulhador pode encontrar. Em lugares aonde a caça sub é muito intensa, o que faz os peixes ficarem “espertos” com a presença do mergulhador, realmente é muito raro avista-los. Em locais mais selvagens, entretanto é muito fácil a aproximação e devido a grande curiosidade destes peixes é possível até toca-los. Esta característica torna os Meros muito vulneráveis aos caçadores submarinos, que chegam a matar meros com tiros a queima roupa, com o arpão encostado no peixe, em uma atitude de deboche da confiança demonstrada pelo magnífico animal.

Esta medida de proteção, apesar de atrasada e imperfeita, foi um importante passo dado pelo conservacionismo no Brasil. Digo atrasada porque a população atual de meros já está criticamente reduzida, o que irá retardar muito a sua recuperação, além dos problemas oriundos da perca de variabilidade genética. E imperfeita porque 5 anos apenas é um prazo que não permite nem que um filhote atinja sua maturidade sexual, que se dá entre 8 a 12 anos. Que dirá para uma recuperação populacional.

A despeito destas críticas, estas medidas me deixaram otimistas no sentido de observar uma boa relação de escuta e aceitação de um órgão público, como o IBAMA, com a comunidade científica e a sociedade civil. Este processo se deu a partir de biólogos, que perceberam e anunciaram o estado crítico em que a população de Meros se encontra no Brasil. Esta informação foi utilizada pela sociedade civil organizada, principalmente pela ONG SOS Mata Atlântica e a Associação dos Pescadores de Cananéia, que levaram a denúncia, juntamente com uma proposta, ao órgão público responsável, o IBAMA, que demonstrou muita boa vontade na análise da proposta e na elaboração da medida provisória.

Não é todo dia que vemos as coisas no Brasil acontecerem como deveriam, com o IBAMA demonstrando que está atingindo o nível de maturidade que sempre desejamos, deixando de lado os preciosismos de indivíduos despreparados que raramente discutiam com o meio científico as medidas que deveriam ser tomadas, e principalmente a atitude das organizações não-governamentais envolvidas, que se preocuparam em elaborar, com o auxílio de biólogos, uma proposta de medida que deveria ser tomada, para divulga-la junto com a denúncia. Isto merece muito destaque, porque reclamar e meter o pau é fácil, mas ajudar na resolução do problema é outra história, não é mesmo. É só ver o caso de muitas outras ONG´s que proliferam por aí, comandada por ecoxiitas que protestam muitas vezes sem embasamento científico, sem propostas práticas e acabam muitas vezes até atrapalhando o processo.

Agora a luta é para aumentar este prazo de cinco anos para um tempo indeterminado, nós biólogos temos que provar que este é um tempo muito curto para a recuperação populacional de um peixe que pode viver até 40 anos. Esta medida certamente não será bem vista pela “classe” dos caçadores submarinos, que por incrível que pareça matam o Mero apenas por troféu, para exibir o tamanho do peixe e satisfazer algum complexo que deveria ser resolvido por um psicólogo.  Vamos ter esperança, pois quanto mais pessoas conhecerem o Mero e seu comportamento dócil, mais os caçadores deixarão de ser vistos como valentes, e sim como realmente são, assassinos covardes e sem escrúpulos.

 

Osmar “Mindú” Luiz Júnior




     
     
 
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