
Tubarões. Uma visão geral
Há muito se fala sobre tubarões como sendo os maiores assassinos da natureza e portanto seres diabólicos que merecem morrer! Essa mentalidade, por incrível que possa parecer às portas do século XXI, ainda rege as atitudes de muitas pessoas, mas graças a novas descobertas da ciência e a divulgação cada vez maior dessas descobertas, essa imagem está mudando, ainda que lentamente. Vamos discutir nesta seção algumas dessas descobertas e mostrar que tubarões não são assassinos cruéis, mas sim predadores indispensáveis para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos e às vezes até fluviais.
1. Classificação dos tubarões
Os tubarões, assim como as raias e quimeras, não possuem ossos, sendo seu esqueleto formado exclusivamente por cartilagem. Por essa razão são chamados peixes cartilaginosos. É muito difícil, senão impossível, afirmarmos qualquer coisa a respeito de tubarões, uma vez que existem mais de 350 espécies diferentes espalhadas por todos os mares e oceanos do planeta. Dentro de tamanha diversidade, cada espécie ou grupos de espécies pode se comportar de uma forma diferente, portanto dizer que tubarão faz isso ou aquilo é na maioria das vezes uma generalização perigosa. Existem tubarões ovíparos (que põem ovos), vivíparos (que possuem um período de gestação e dão a luz a um tubarãozinho pronto) ou ovovivíparos (que combinam ambos). Esse é só um exemplo da diversidade que existe entre as espécies de tubarões.
2. Um pouca de história
Os primeiros tubarões apareceram há mais de trezentos milhões de anos e desde então vêm evoluindo gradativamente, até chegarem a um dos mais bem adaptados predadores do planeta. Eles sobreviveram a eras glaciais, a extinção dos dinossauros e o que quer que a tenha provocado e a vários outros eventos globais que dizimaram outras populações. Isso mostra o quanto são resistentes a mudanças.
Alguns tubarões extintos são bastante impressionantes, como o Megalodon (Carcharodon Megalodon), que pode ser descrito como um tubarão branco (Carcharodon Carcharias), três vezes maior. Pode-se imaginar o tamanho e a eficiência desse gigante caçador. Alguns estudos sugerem espécimes de até 20 metros de comprimento.

3. Os tubarões e o ecossistema
A grande maioria dos tubarões é formada por predadores do topo da cadeia alimentar, ou seja, se alimentam de outros animais, maiores ou menores, e possuem poucos ou nenhum predador natural. Dessa forma eles desempenham um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas, fazendo um controle das populações de outros predadores, como o atum por exemplo. Entretanto outras espécies de tubarões se alimentam de animais menores, como moluscos ou caranguejos que se escondem embaixo da areia, como é o caso do conhecido tubarão lixa ou enfermeira (Gynglimostoma cirratum). Vemos então, que os tubarões podem ocupar diferentes posições nas cadeias alimentares, fazendo diferentes papéis no ecossistema.

Como são grandes predadores, os tubarões não possuem muitos predadores naturais. Alguns exemplos poderiam ser as orcas (Orcinus orca), cachalotes raramente (Physeter macrocephalus), algumas espécies de crocodilos (particularmente na Austrália) ou outros tubarões. Golfinhos podem matar tubarões, mas não com o propósito de alimentação e sim de proteção, então não são considerados predadores. Assim podemos concluir que os tubarões levariam uma vida razoavelmente tranquila, se não fosse o maior e mais ameaçador de todos os predadores desse planeta. O homem. O que todas as catástrofes naturais dos últimos 300 milhões de anos não conseguiram, o homem está conseguindo em mais ou menos 50. Levar os tubarões à beira da extinção.
4. Os tubarões e o homem.
Todos os anos a indústria de pesca, particularmente a japonesa, é responsável pelo extermínio de 400 milhões de tubarões em todo o mundo. E o que é pior, com o apoio maciço da população, já que tubarões comem gente, então eles podem e devem morrer . Em muito casos os tubarões são pescados somente por suas barbatanas, já que sua sopa é muito apreciada no Japão. Então todo o resto do animal é simplesmente jogado fora. Em outros casos os tubarões são mortos simplesmente como troféus, ou demonstração de força, como se isso provasse que o caçador é melhor que os outros porque matou um tubarão. Esse tipo de comportamento humano, aliado a drásticas alterações em seus habitats devido a construção de portos ou condomínios de luxo à beira-mar, têm contribuído para o brutal declínio de diversas espécies, algumas já incluídas nas espécies em risco de extinção.
Essa situação já levou a uma campanha de conscientização que se iniciou há pouco tempo, pelo Project Aware da PADI americana, que visa preoteger as populações de tubarões ainda expostas a esse tipo de ameaça. Você pode conhecer mais dessa campanha em www.projectaware.org.
Essa cultura de extermínio e esse consumo excessivo de produtos de tubarão, além de muitos outros fatores de mortalidade precisa diminuir rapidamente sob pena de levarmos um dos mais magníficos seres que já habitaram nosso planeta a completa extinção, o que teria consequências imprevisíveis em nossos ecossistemas.
Fernando L. Martins é instrutor de mergulho desde 1986, tendo se filiado à PADI em 1988. Formou-se Course Director em 1997. Instrutor de mergulho técnico pela IANTD desde 1998, e formado pela Handicaped Scuba Association em 1993 para ensino de mergulho a portadores de deficiência física. Iniciou em mergulho em caverna em 1994, na região centro-norte da Florida, Estados Unidos. Desde então tem estado envolvido no ensino e exploração de cavernas no Brasil e no Exterior. Atualmente é graduando em Biologia pela Universidade do Grande ABC.
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