TÔ COM AZIA!!!!
Imaginem aquele mergulhador apaixonado pela atividade, mas que por motivos de força maior (trabalho, casamento, filhos, etc) já não mergulha há alguns anos. Ganhou alguns quilinhos, e seu maior esforço físico é movimentar o seu mouse. Em um belo fim de semana, resolve desligar-se de tudo e finalmente mergulhar. “Ah! É para isso que eu trabalho”. Pega toda a sua tralha, já um pouco empoeirada, mas jamais esquecida e sai para matar a saudade daquilo que realmente tem sentido na sua vida. Já no barco percebe que a roupa encolheu significativamente (deve ser porque ficou muito tempo sem molhar na água salgada). O esforço é descomunal para conseguir colocá-la e quando consegue, percebe que o zíper já não fecha como antigamente (falta de lubrificação?). Consegue raivosamente fechá-lo em um movimento brusco mostrando à sua roupa, companheira de tantos mergulhos, quem é que ainda manda. Pronto! É aí que os problemas aparecem! Logo percebe que algo o incomoda. Uma sensação de quem acabou de engolir um dragão começando a expelir fogo pela boca, Logo vem à idéia de colocar o seu regulador no extintor de incêndio da embarcação.
“TÔ COM AZIA”
Um problema de saúde muito freqüente nos dias de hoje que acomete uma parcela significativa da população mundial, principalmente aquela com hábitos alimentares e estilo de vida ocidental, ou seja, o nosso estilo de vida que inclui principalmente o sedentarismo, obesidade, combinado com uma alimentação industrializada contendo um alto teor de gorduras e calorias.
O que mais chama a atenção é o número crescente de pacientes novos a cada ano. Hoje ela já é o problema gastro-esofágico que mais frequentemente aparece nos consultórios de gastroenterologia, deixando na segunda posição as gastrites.
O mais incômodo para os mergulhadores é que essas manifestações clínicas insistem em aparecer nas horas mais inoportunas, ou seja, no momento de vestir a roupa, no esforço de se equilibrar já todo equipado, apertado, pronto para entrar na água e principalmente... durante os mergulhos. É uma tragédia subaquática para os portadores dessa doença; dependendo da intensidade do refluxo, torna o momento tão esperado, de descontração e relaxamento, numa verdadeira tortura chinesa-sub.
Os principais sintomas são: azia, regurgitação, dor/queimação no peito, queimação na região epigástrica (boca do estômago). Outros sintomas menos freqüentes, porém não menos importantes são: soluços, tosse, ardência na garganta, sensação de pigarro na garganta, e crises de bronco-espasmo (chiado no peito até asma). Essas últimas são chamadas de manifestações extra-esofágicas da doença do refluxo.
É uma doença que acomete a transição entre o esôfago e o estômago (podendo ou não estar presente uma hérnia de hiato), onde existe uma válvula que impede o refluxo do conteúdo do estômago para dentro do esôfago. O conteúdo gástrico é composto de ácido clorídrico com um pH muito baixo; quando esse ácido reflui e banha a luz do esôfago, ocorre uma queimadura química, desencadeando assim, todos aqueles sintomas enunciados anteriormente.
Dependendo da intensidade dos sintomas, duração, idade, freqüência e antecedentes de refluxo, existe a necessidade de investigação da causa do problema. O exame mais comumente solicitado é a ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA. Exame esse que detecta com precisão, na maioria das vezes, o problema e sua intensidade, dando assim dados suficientes para a administração de um tratamento eficaz, seja ele medicamentoso ou cirúrgico na correção de hérnia hiatal que por ventura exista.
Além do tratamento com medicamentos, são importantes também mudanças de hábitos alimentares (dieta), estilo de vida e se houver necessidade a perda de peso.
A principal sugestão a ser dada é que de forma alguma esses sintomas devem ser ignorados, evitando sempre a auto-medicação, procurando ajuda médica para identificação e resolução do problema.
Para os mergulhadores que sofrem de azia, o conselho é que procurem orientação e tratamento médico, pois a permanência dela (sintomas de esofagite de refluxo) pode levar a sérias complicações.
BONS MERGULHOS
Lembre-se que: “O extintor de incêndio do barco não se conecta no seu regulador”
Dr. HELCIO P. TELES
DEPARTAMENTO MÉDICO SCAFO MERGULHOS