A hérnia é uma abertura (adquirida ou congênita) na parede abdominal, formando uma comunicação entre a pele e o conteúdo abdominal.
Existem vários tipos de hérnias. As mais comuns são: inguinal (na virilha), umbilical, epigástrica (parte superior do abdômen), diafragmática (entre o tórax e abdômen), femoral (raiz da coxa) e outras menos frequentes.
O principal sintoma de uma hérnia é um abaulamento na região (tumoração) que aparece com esforço físico, seguido de dor, ardência ou desconforto local. Ela normalmente aparece com dimensões mínimas que com o passar do tempo, tende a aumentar o seu volume e a sensação de desconforto. O tamanho da hérnia é diretamente proporcional à possibilidade de complicações, embora possam haver complicações mesmo com as consideradas pequenas, principalmente durante o mergulho, onde acontecem mudanças de pressão e volume que propiciariam o seu aparecimento conforme explicaremos a seguir.
O conteúdo herniário muitas vezes pode ser constituído por segmentos de intestino e é exatamente isto que é importante na relação com os mergulhos.
Como todos sabem, o conteúdo intestinal apresenta uma quantidade expressiva de gases que sofrem a ação da pressão durante um mergulho (aumentando ou diminuindo o seu volume). Explicarei melhor: A quantidade de gás dentro do intestino é dinâmica e varia de acordo com a velocidade do transito intestinal (peristaltismo). Um acréscimo na quantidade de gás dentro daquele seguimento de intestino que está dentro da hérnia durante o mergulho poderá se expandir de uma maneira não uniforme durante a subida, podendo assim aprisionar esse gás em expansão dentro da hérnia desencadeando conseqüências sérias. Este fenômeno (hiper expansão gasosa) pode levar a um estado de urgência médica chamada de “estrangulamento herniário”, condição esta que requer muitas vezes uma intervenção cirúrgica de urgência.
A correção cirúrgica é a única forma de tratamento, com resultados excelentes com rápido restabelecimento e retorno as atividades habituais. Atualmente com o uso de técnicas e equipamentos de última geração para a sua correção, esse retorno é ainda mais rápido.
O método atual de abordagem por vídeo-laparoscopia e uso de próteses (tela) para reconstituição da área afetada, traz grandes benefícios, pois são procedimentos minimamente invasivos que garantem assim um pós-operatório praticamente indolor, seguro e com o rápido retorno às atividades do dia a dia e exercícios físicos (em torno de um mês). É claro que todo cuidado pós-operatório é sempre recomendado.
Quanto aos cuidados relacionados ao mergulho, no pós-operatório, lembramos da necessidade de se evitar esforços físicos exagerados (no pós-operatório recente) como equipagem na embarcação (esforços e movimentos bruscos) dando preferência à equipagem e desequipagem na água. Não se intimide: peça ajuda sempre! Assim minimizará os possíveis riscos de complicações pós-operatórias que, por sinal, são muito raras.
Cuide-se bem!!! Bons mergulhos e até a próxima!
Dr. Hélcio Teles
Departamento médico SCAFO MERGULHOS