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CUIDADOS DURANTE O MERGULHO LIVRE

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Uma atividade democrática, de todas as idades, raças, credos e ideologias. Basta gostar de água, ser um apaixonado pelo mundo subaquático e ter, de preferência, um treinamento específico e logo você se tornará praticante de uma das modalidades esportivas mais difundidas pelo mundo afora.

Como toda atividade aquática, algumas questões necessariamente devem ser levadas em consideração quanto à segurança.

Um bom preparo físico e um estilo de vida saudável são muito importantes por motivos óbvios e outras questões que não devemos esquecer são:

O uso de filtro solar combinado com roupas de exposição adequada protege das queimaduras. Citando ainda roupas, quando adequadas, protegem também dos possíveis contatos com animais de superfície que podem causar queimaduras. Não poderíamos deixar de lembrar da importância no uso de protetores para os pés e mãos (botas e luvas de neoprene), pois com eles você estará se protegendo de possíveis contatos com superfícies cortantes.

Uma das principais recomendações que sempre procuramos passar é a questão da hiperventilação antes da submersão. Ela é uma ferramenta útil na otimização de suas incursões subaquáticas, porém deve ser respeitada quanto ao número de vezes por imersão que você a utiliza: Ultrapassar em três o número de hiperventilações por imersão pode levar a uma queda significativa do nível de co² no organismo.

Mas o que tem isto a ver? A resposta é simples: A “vontade” de respirar depende do nível de co² circulante (quanto maior o nível de co², maior será a “vontade”). Se você baixa muito o nível de co² com as hiperventilações, você estará retardando o aparecimento da “vontade” de respirar,  levando a um estado de hipoxemia no organismo e pior, sem se dar conta de que isto está realmente acontecendo (nível baixo de oxigenação), podendo assim ocorrer o que chamamos de “apagamento”. Isto acontece mais freqüentemente quando você estiver voltando à superfície.

Por causa desta possibilidade do “apagamento”, o sistema de duplas invertido deve ser lembrado: Enquanto um desce, o outro aguarda na superfície, evitando imersões simultâneas dos dois praticantes.

Outra regra básica – Nunca mergulhe sozinho. Esteja sempre com seu parceiro.

Uma outra quebra de segurança que acontece com uma certa freqüência, é o mergulho livre sendo praticado no intervalo de superfície entre dois mergulhos SCUBA. Este intervalo, como vimos em artigo escrito anteriormente nesta coluna (EXERCÍCIO E ACIDENTES DESCOMPRESSIVOS), deve ser respeitado e um bom conselho seria descansar!!!. Quando você se submete a um esforço físico durante um mergulho livre, você pode estar disponibilizando uma maior quantidade de micro-bolhas de nitrogênio para a sua circulação, incrementando consideravelmente o risco do aparecimento da doença descompressiva.

Quando você faz várias imersões subseqüentes em apnéia durante o seu intervalo de superfície, você estará interferindo diretamente na eliminação normal de seu nitrogênio residual que trouxe do seu primeiro mergulho. O seu grupo de pressão e seu “limite não descompressivo ajustado” poderão estar sendo calculados de uma forma subestimada para o seu próximo mergulho.      

Por fim uma questão não muito freqüente, porém importante a ser abordado aqui neste artigo é a possibilidade de “doença descompressiva” em mergulhadores livres.

Múltiplas imersões com intervalo muito curto entre elas, juntamente com: esforço físico, subidas rápidas, doenças associadas e desidratação, podem levar à doença descompressiva em mergulhadores livres.

Casos descritos na literatura internacional mostram de uma forma bem clara, que isto realmente pode ocorrer. Casos de doença descompressiva foram registrados em mergulhadores livres, coletores de pérolas, das ilhas do pacífico (Tuamotu Island-Polinésia). Estes mergulhadores de apnéia fazem múltiplas imersões profundas num único dia com intervalos mínimos entre elas. Aqui a combinação de mergulhos profundos, repetitivos, com intervalo mínimo entre eles, levou ao aparecimento de casos de doença descompressiva entre eles, chamados localmente de Tavarana.

Isto explica também a ocorrência de doença descompressiva em mergulhadores livres em treinamento para competições.

Alguns estudiosos no assunto sugerem que os intervalos entre os mergulhos em apnéia devem ser superiores há 5 minutos, procurando subir lentamente, principalmente os últimos 10 metros, sem esforço físico, fazendo sempre com que o mergulho mais profundo seja sempre o primeiro da série.

Portanto caro leitor lembre-se da necessidade de um bom preparo físico, boa hidratação, controle de eventuais problemas de saúde e principalmente “Evite fazer mergulhos livre de forma vigorosa, nos intervalos de superfície dos seus mergulhos SCUBA”.

 

Bons mergulhos

Sejam eles S.C.U.B.A. ou L.I.V.R.E. !!!

     

Dr Hélcio


Por:

Dr.Helcio Pinheiro Teles, Médico Cirurgião de Emergência, Instrutor OWSI e EFR da SCAFO, DAN Member, escreve sobre medicina no mergulho.

Data: 28/04/2006
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