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MERGULHO E AS MULHERES

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MULHERES MERGULHADORAS

Por:

Dr.Helcio Pinheiro Teles, Médico Cirurgião de Emergência, Instrutor OWSI e EFR, DAN Member, escreve sobre medicina no mergulho. helcio@directnet.com.br

Data: 06/05/2005

 

 

 

      O número de mulheres mergulhadoras vem crescendo vertiginosamente a cada dia. Essa demanda passou a exigir do mercado de mergulho uma adequação de equipamentos e acessórios, levando em consideração as diferenças no físico e no gosto feminino mais exigente (cores e modelos de roupas, coletes, etc). 

 

        Pronto!

 

        Após inúmeros pedidos aqui vai o tão aguardado assunto, que por sinal é o mais complicado que já escrevi!

        São tantos artigos escritos e tantas as variantes fisiológicas e emocionais da mulher mergulhadora, que faz com que estudiosos não cheguem a conclusões e pior...muitas vezes mais e mais dúvidas aparecem para serem respondidas! 

           Elas são difíceis de serem entendidas, mas a ciência cada vez mais tem conseguido obter respostas para os vários mistérios do universo feminino quanto ao seu comportamento e diferenças fisiológicas relevantes ao mergulho recreacional! Mas... Muitos mistérios ainda estão por serem desvendados principalmente aos relacionados as suas necessidades emocionais enquanto submersas.

             Como escreveu em velho cientista do mar. `` Tudo começa ainda no ventre materno...`` Estou querendo falar sobre a gestante que sente um desejo compulsivo de mergulhar e como todos vocês já sabem (em artigo já escrito nesta coluna) se existe alguma contra-indicação ao mergulho, é durante a gestação.

               Toda mulher é vaidosa. Gosta de maquiagem, perfumes, jóias e badulaques em geral. Este comportamento é perfeitamente compreendido pelo mundo científico, porém pouco recomendado à atividade de mergulho principalmente pelo fato de deixarem na água produtos químicos não peculiares ao meio ambiente (creme, batom, rímel, perfume, etc). Alguns trabalhos mostram que existem peixes que são atraídos pelo brilho de metais quando expostos à luz solar, portanto, seria muito interessante para que não houvesse uma interação muuuuuito intensa com a vida subaquática, que os penduricalhos ficassem na mala de roupa seca, no bolso de fora para que prontamente sejam recuperados e reutilizados logo no inicio do intervalo de superfície.

               Pronto! Brincadeiras à parte...Vamos ao que interessa! 

 

            O corpo feminino perde mais calor e queima mais energia que o masculino enquanto submerso, por esse motivo existe uma necessidade maior de proteção térmica usando roupa de exposição adequada e uma nutrição correta antes e após o mergulho, dando preferência a alimentos de fácil metabolização e alto teor calórico (glicose).

             Trabalhos, nitidamente mostram que é realmente um ``MITO´´ que o fluxo menstrual poderia de alguma forma contribuir com a atração de alguns animais marinhos perigosos. E isto foi cientificamente comprovado e, portanto não existe!

               Durante a tensão pré-menstrual, as alterações hormonais, peculiares desta fase complicada da vida de uma mulher, poderiam levar a alterações comportamentais com variações do humor, que necessitam ser compreendidas e respeitadas.

                No período pós-parto (normal) a mulher deveria esperar pelo menos 21 dias para haver o fechamento total do colo uterino. Se houve a necessidade de realização de um episiotomia, este intervalo deveria ser de 4 semanas. Quando o parto for cesariana, o regresso às atividades esportivas (não só o mergulho) deverá respeitar a total cicatrização da ferida operatória, que oscila entre 70 a 110 dias.

                   O implante de próteses, principalmente as mamárias, tem sido assunto de inúmeros estudos. Alguns trabalhos utilizando câmaras hiperbáricas colocaram próteses mamárias no seu interior e submeteram-nas a várias atmosferas de pressão. A conclusão que chegaram é que as próteses salinas seriam as mais seguras se comparadas com as de silicone ou salinas/silicone quanto à absorção de nitrogênio e formação de bolhas no seu interior. O estudo ainda mostra que a formação de bolhas não foi suficientemente importante a ponto de poderem causar a ruptura das respectivas próteses e que estas foram eliminadas com o tempo. Portanto as mulheres com implantes de silicone teriam um potencial maior de saírem da água com um discreto e temporário aumento no volume de suas mamas.

                   Outro estudo mostra que mulheres com próteses de silicone podem ter sua aquaticidade discretamente comprometida, pois elas teriam um efeito negativo na flutuabilidade (mais lastreadas) e mudança do ponto de gravidade, pois haveria uma inclinação maior da parte superior do tronco para baixo. Este mesmo estudo recomenda que, dependendo do tamanho da prótese instalada, deve-se fazer pequenos ajuste na configuração do sistema de lastro (menos lastro e colocação do mesmo o mais baixo possível para se restabelecer novamente o ponto de equilíbrio).

                     O aleitamento materno é um assunto também estudado por causa da possibilidade de veiculação de bolhas de nitrogênio através do leite. Conclui-se que então, que isto não seria significativo à saúde do lactente.

                      A mãe que amamenta deve lembrar que está mais exposta á desidratação e, por conseguinte á doença descompressiva para tanto uma hidratação rigorosa dever ser lembrada antes e após os mergulhos.

                      A osteoporose é uma doença óssea freqüente nas mulheres após a menopausa. Estudos parecem não correlacionar a piora da osteoporose com a atividade de mergulho recreacional. Um mergulho conservador, permanecendo dentro dos limites parece ser a forma correta para mergulhadoras portadoras de osteopenia ou osteoporose.

Bom este artigo já se estendeu muito!

São muitos os mistérios deste universo feminino subaquático e muitos são os assuntos a serem abordados ainda. Futuramente prometo que escrevo mais!!!

 

BONS MERGULHOS A TODAS AS DIVEGIRLS

 

Dr. Hélcio Teles

  




     
     
 
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