Barotrauma - Baro = pressão trauma = lesão
Não vou me prender a questão física mas sim suas conseqüências médicas.
A lesão por pressão ocorre quando existe uma variação de pressão de um gás dentro ou ao redor do corpo.
Tipos de Barotraumas
Barotrauma de Ouvidos
Barotrauma de Seios Faciais
Barotrauma de Máscara
Barotrauma de Dentes
Barotrauma de Pulmão
O barotrauma corresponde a 65% dos acidentes de mergulho
30 % ocorre no primeiro mergulho
OUVIDO
Causas: Congestão (infecciosa ou alérgica) de tuba auditiva, processos obstrutivos da tuba, alguns tipos de desvios de septo, sinusites, processos infecciosos e alérgicos, uso de descongestionantes por tempo prolongado, cerúmen (pode ocluir totalmente a comunicação).
Ao deglutir, mastigar e mover a mandíbula estamos constantemente equalizando as pressões interna e externa. (auto-compensação).
Início dos sintomas ocorre a partir de 3 a 6 metros com dor na região do ouvido.
Ali existe a mem brana timpânica que separa a câmara interna da externa. A pressão do ouvido médio é normalmente de 20 mmhg menor que a pressão ambiente.
Na descida quando existe o abaulamento do tímpano (provocado pela diferença de pressão interna/externa), ocorre a dor e a necessidade de “equalizarmos” estas pressões.
Existem várias técnicas para conseguirmos “compensar” esta diferença de pressão:
Engolir /mover a mandíbula
Valsalva (pressionar o nariz e soprar delicadamente – nunca deve ser feita por mais de 5 segundos a cada tentativa).
Totnbee (pressionar o nariz e engolir).
Frenzel (Fechar as cordas vocais, pressionar o nariz e elevar a língua ao céu da boca)
Rodando a cabeça (pressionar o nariz e girar rapidamente a cabeça para o lado contrário do ouvido que não está compensando).
Edmonds (pressionar o nariz e posicionar a mandíbula para frente podendo ser combinado com inclinação lateral da cabeça deixando o ouvido não compensado para cima).
Lowry ( pinçar, assoprar e engolir).
Bom, não importa muito o nome destes conceituados estudiosos, mas o importante é que no texto acima você pode aprender a equalizar seu ouvido de outras formas, minimizando assim a possibilidade de você ter que abortar seu mergulho.
Importante sempre equalizar a cada metro de forma delicada evitando mano bras intempestivas com esforço exagerado de equalização, pois isso poderia levar a danos.
Sintomas de barotraumas: vertigens, zumbidos, náuseas e vômitos. Perda auditiva Nos casos graves até sangramento pelo ouvido pode acontecer.
Se você não conseguir a equalizar, você deve interromper a descida, subir alguns metros e tentar equalizar a cada meio metro e se, mesmo assim, não conseguir você deve retornar a superfície e tentar equalizar com os ouvidos fora d´água, podendo tentar novamente a descida. Se mesmo assim não conseguir equalizar, aborte o mergulho e procure ajuda médica.
È muito importante que se tenha em mente a importância de tomar cuidado com resfriados ou gripes “mal curados”.
O tratamento diferencia-se de acordo com a gravidade das lesões.
Descongestionante nasal e sistêmico, corticosteróides, e antibióticos para tratamento da causa de base (se for infecciosa).
Não mergulhar até que todo o processo inflamatório termine.
Se o barotrauma for classificado como leve deve-se ficar 2-5 dias sem mergulho, se for moderado 1 semana e grave por até 4 semanas ou mais.
Quando existe suspeita de ruptura de tímpano, não se deve pingar nada no conduto auditivo.
Complicações: vertigem, infecções, alterações auditivas permanentes.
Elevar a cabeça, evitar tossir não realizar mano bras de valsalva, lem brar de ter cuidados com o capuz, tampões de orelha, e tampões de cera ajuda a evitar esse problema.
Ah! Ia me esquecendo do bloqueio reverso. Este problema pode acontecer quando se tem dificuldade de equalizar na subida e muitas vezes está associado ao uso de descongestionante cujo efeito passa no retorno do seu mergulho à superfície. Cuidado pessoal, pois neste caso pode ser muito demorada a equalização e o ar pode estar no fim.
BAROUTRAUMA DE SEIOS DA FACE
Este tipo de barotrauma ocorre mais comumente em pessoas que apresentam processos inflamatórios/infecciosos como sinusites. A fisiopatologia sempre está relacionada a uma dificuldade de comunicação dos seios com o meio externo impedindo assim a sua equalização das pressões com o meio externo.
Neste caso a profilaxia é consultar um médico especialista se você já teve ou tem sinusites.
O tratamento antes do mergulho evita que haja desconforto e complicações durante o mergulho como sangramento nasal, dor e impossibilidade de continuar a descida.
BAROTRAUMA DE MÁSCARA
É facilmente solucionado deixando que o ar entre na máscara pelo nariz. Muitas vezes mergulhadores com pouca experiência no momento da descida se preocupando com a equalização, respiração, flutuabilidade, etc, se esquecem de deixar o ar entrar na máscara produzindo assim o barotrauma de face que inclui além da vermelhidão na face, hemorragia ocular (conjuntiva) podendo até em casos extremos levar a uma diminuição da circulação sanguínea enquanto durar a compressão.
BAROTRAUMA DENTÁRIO
Quando existem problemas nas restaurações, (não adequadamente preenchidas com material restaurador) poderão ocorrer manifestações dolorosas nos dentes por presença de ar no seu interior. Normalmente isto ocorre na ascensão.
BAROTRAUMA DE PULMÃO
Em subidas rápidas (acima de 18 m/min) e quando se prende a respiração na subida, existe uma hiper-expansilbilidade pulmonar podendo levar a ruptura da parede do órgão desencadeando o aparecimento de pneumotórax e embolia gasosa, situações graves que dependo da sua intensidade poderão levar a danos importantes no organismo inclusive com risco à vida.
Lem br e-se “RESPIRE CONTINUAMENTE E NUNCA PRENDA A RESPIRAÇÃO PRINCIPALMENTE NA SUBIDA”.
Outra situação em que o barotrauma pulmonar pode ocorrer é no início da descida. Alguns mergulhadores, por estarem pouco lastreados exalam todo o ar dos seus pulmões e começam a descer co os mesmos quase completamente vazios. Com o aumento da pressão, mesmo que pequeno no início da descida, essa compressão so bre um pulmão vazio pode provocar um edema com conseqüências potencialmente graves. Por isso, nunca desça, por menor que seja a distância desta descida, com seus pulmões vazios.
Dr. HELCIO PINHEIRO TELES